Azul

mulher azul

Azul é uma das mulheres mais bonitas que eu já beijei. Ela tem aqueles cabelos pretos lisos que caem sobre as costas quando ela está de quatro, e isso me deixa alucinado. A cintura dela tem um formato ergonômico coerente com o tamanho das minhas mãos – truque de design, desses tão fortuitos que parecem misturar vontade e natureza e quase me fazem aceitar a possibilidade da existência de  Deus.

Azul gosta de deitar no meu peito quando cansamos de trepar, e me conta coisas aleatórias – tolices quaisquer em que ela nem sequer está pensando, com aqueles olhos pretos fechados, aquelas coxas cor de barro em cima de mim. Ela apenas gosta de falar enquanto respira o meu mamilo, e eu gosto de ouvir aquele som. Não faz sentido – são só palavras que saem da boca dela como beijos acústicos, são estímulos para impregnar meus poros.

Noite passada nós conversamos muito, e eu sempre fico leve quando converso ou trepo com Azul – a fronteira entre uma coisa e outra é quase que somente formal: gozamos pelo diálogo, nos comunicamos pelo tesão. No corpo, ela carrega o sofrimento de nascer mulher na sociedade do estupro, e ao mesmo tempo uma tara insana de fêmea no cio – não o cio do útero, mas o cio da mente. Azul se faz de gueixa para enfeitiçar o espaço vivo que viça em nós – convoca, cavalga, engole, se deixa domar como égua por chicote – sem jamais perder aquele frescor do beijo das virgens de Trevisan.

Eu nunca pertencerei a ela. Mas eu a amo luminosamente.