Poema sem título de um trovador sem nome

Onde tua alma repousa
depois de despentear os quintais,

mística mulher-raposa
que habita o silêncio
e a luz dos cristais?

Onde tua pele descansa
quando a lua dança seus rituais,

e o teu corpo água-e-sal se desmancha
em visões, em caminhos,
em florestas astrais?

Onde, em que pedra, em que toca,
toca o fogo do teu olho abissal,

em que lago de ferro, em que rota,
em que abismo, em que livro,
em que atalho mortal?

Onde tua língua aguissangue,
onde o lânguido cheiro do teu roseiral,

tua linha que ao meu verso escande,
onde o mistério sem nome
onde o arquejo final?