Autor: Isaac

Isaac Gonçalves Souza é poeta, músico e escritor. Nasceu em 1984, em Goiânia, Goiás (Brasil). De família maranhense, cresceu em Codó - Ma, e radicou-se em Caxias - Ma, em 2004. É graduado em História, Mestre em História do Brasil. Autor de nove livros. Líder da Banda CasinoQuebec, lançou dois álbuns e alguns singles.

Então, por que você não me quer?

Olhei para ela e disse o quanto a achava corajosa, inteligente, lutadora e linda. Todas aquelas coisas eram verdade – umas mais do que outras. Mas nenhuma tanto que precisasse ser dita em um discurso eloquente. Deixei estar. Notei que os olhos dela se acenderam na medida exata do sorriso. Uma expressão alegre que era rara no rosto dela – tão alegre que me preocupou. Olhos humanos só brilham tanto assim na presença da ilusão. Eu não gosto de iludir ninguém. A não ser, é claro, com anuência e colaboração da pessoa iludida – ética de artista. De maneira que senti necessidade de dizer alguma coisa que fosse absolutamente sincera. Mas as coisas absolutamente sinceras têm a tendência a serem […]

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Eu não te amo, eu nunca vou…

Eu não te amo,eu nunca vou te amar. Todos os poemasde amor são iguais.Cono são iguaisos filmes,as cançõese os casamentos. O amor é o maior crime de plágio da Humanidade. Amores sãosedentários,conservadores,ciumentos,mesquinhos,inseguros,iram-se facilmente. O amor justifica qualquer violência,reivindica o direito de mutilar. Não conhece a liberdadenem a beleza da solidão;não entende a magia da distâncianem a suavidade da ausência.Não compreende que viver é viajar. Por isso eu não te amo,por isso eu nunca vou te amar. Quero a poesia nova do acontecimento.Quero as histórias não contadas,os sons que ninguém ouviu.Nosso lar é aonde vamos,ali não há esperança nem futuro,tudo é ensaio, tudo é desejo — o sorriso louco dos alegres sem causa ‎– o lirismo da dor de quem sangra […]

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10 Curiosidades sobre a música “Saúde”, da Banda CasinoQuebec

Saúde é uma balada rock n’roll, com sabor de deboche, uma melodia sarcástica e swing sensual. Ela nasceu de uma piada sobre religião e se tornou uma celebração da alegria.
Lançada como um trabalho independente da Banda CasinoQuebec, em 21 de maio de 2020, a música foi composta em 2013 e já estava presente no setlist do show de lançamento da banda, em 2014.
A seguir, 10 curiosidades sobre essa música.

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Música Independente, Arte e Mercado

Quando a indústria percebeu que ganharia muito mais se tivesse um exército de artistas medianos fazendo o trabalho mecânico de realizar uma fórmula era muito mais lucrativo do que ter um Fred Mercury, com todas as suas idiossincrasias e instabilidades – nesse momento, a indústria percebeu que o artista autêntico era uma perda de tempo e money.

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Arte é trabalho

Arte é trabalho – não é trabalho a determinação de um ser humano a inventar alegrias para os outros? Não é trabalho o trabalho de decodificar os sonhos e decompor o real? Não é trabalho o cuidado de traduzir o inefável, de acender estrelas, de fazer a toalete de deus?

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NÓS PRECISAMOS DE POESIA

Por que tenho a poesia, sou uma vagalume do rock. Sou um cão sarnento na sarjeta da indústria – um bardo antiquado vagando como fantasma e fóssil no mundo digital. Faço das minhas invenções nonsenses e quase sempre infrutíferas – aquela figueira maldita que Jesus Cristo fez secar é minha irmã mais velha, minha primeira ancestral conhecida, minha antecessora no caminho do céu.

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OFICINA DO DIABO

Sou tentado a acreditar que o artista é o seu atelier. Não me refiro a uma sala, um prédio, um depósito ou um galpão necessariamente – não o ateliê como endereço. Mas para que alguém que poderia, com alguma sorte, ser uma pessoa normal se torne um demônio hiperativo constantemente atarefado na labuta de inventar, é necessário que um espaço seja constituído: um espaço de experiência, um laboratório, um estúdio, uma oficina. É um espaço virtual que começa na mente do artista, passa pelas extremidades do seu corpo e se estende no tecido espaço-tempo que o cerca, conectando-se a ferramentas, códigos e referências que o acompanham e das quais ele se vale. De modo que a oficina de cada artista […]

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SOU UM PÉSSIMO LEITOR DE POESIA

Sejamos francos, sou um péssimo leitor de poesia. Sempre fui um péssimo leitor de poesia, e pretendo continuar a sê-lo até o último dos meus dias tão insólitos. E isso não é culpa da poesia, mas dos poetas. Da performance mecânica e fingida dos poetas contemporâneos: mímicos, pantomimeiros de mistérios inexistentes. Abro um livro de poesia: já me sinto diante de uma farsa. Repudio poetas tanto quanto repudio os crentes (posso ter exagerado na comparação). Não obstante, eu penso que a poesia é o caminho para a salvação dos nossos corpos corrompidos por esta época medíocre. Sim, a poesia é tudo o que restou da nossa mais antiga e pura experiência espiritual – algo primitivo e verdadeiro, fruto de uma […]

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