Autor: Isaac

Isaac Gonçalves Souza é poeta, músico e escritor. Nasceu em 1984, em Goiânia, Goiás (Brasil). De família maranhense, cresceu em Codó - Ma, e radicou-se em Caxias - Ma, em 2004. É graduado em História, Mestre em História do Brasil. Autor de nove livros. Líder da Banda CasinoQuebec, lançou dois álbuns e alguns singles.

“Os poderes de uma canção”

Num texto tocante, Suely Rolnik fala sobre sua experiência de reinvenção de si, depois de absorver no corpo a violência brutal da Ditadura brasileira. Ela conta sobre como todo um processo de cura, de produção, de invenção se condensou em uma nota de uma canção de Gal Costa que ela emitiu em uma aula de canto em Paris. Quem lê os textos de Suely Rolnik sabe como a vibração ocupa um lugar privilegiado na sua linguagem, na sua produção de conceitos, e nesse relato a força imanente do fenómeno vibração pode ser sentida, percebida, compreendida, traduzida de maneira decisiva. A vibração de uma nota salvou uma parte da vida de Suely Rolnik, salvou devires se Suely Rolnik – livrou o […]

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“Suite de Novembro – poema de olhos vendados e uma teoria do amor”: um manuscrito clandestino

Você não sabe de que universo as mulheres vêm – você apenas aceita que elas façam contato imediato. E é disso que esse poema trata. Se eu tivesse de escrever um prefácio a este livro fisiológico, seriam essas as minhas palavras de abertura. Baixe o eBook aqui É um livro ventre – ventre-livro – e dele brotam tentáculos e fios de cabelos. O que ele narra? A mulher como uma explosão, como um transe, como uma abdução alienígena. O encontro que transcende o encontro – a revelação para lá do Apocalipse. Tudo e nada numa mesma efusão de sensibilidade. Manuscrito Clandestino A obra foi financiada pela Academia Fantaxma e editada pela Editora Fantaxma, de modo que mesmo públicado permanece inédito. […]

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Arte e Magia – o ofício do bardo

A música é a arte original: das entranhas da música nasceram siameses o teatro e a poesia – nasceram mágicos, nasceram místicos, nasceram como forma de comunicação não dos homens com os deuses, mas dos deuses com os homens. Música, poesia e teatro são formas ancestrais de arte que guardam até hoje, apesar de toda parafernália tecnológica que as envolve, uma aura xamânica – ainda reconhecemos no artista algo de transcendente, de intransigente, de irremediavelmente quintessencial. Nas palavras do poeta; nos sons expressos pelo músico; no corpo possuído em transe textual do ator; podemos reconhecer uma mensagem vinda do além, do transversal, do intangível, não-narrável, não-discritível, não-dissertável. O poeta – assim como o músico e o ator – é o […]

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Viola e violação

Soa um acorde pelo ar,O primeiro verso da canção.Luzes do palco a me cegar,Luzes que faiscam no salão,Sou sombra e sou música a vibrar.Você é brilho e mágica a refletir.Minha voz arranha sua peleSeus olhos deslizam em mim.Pupila rouca, cristais no somEu sou a harpa, você é o arpão. Faço a guitarra recitarpoemas de fúria e de paixão,Deixo o tempo deslizarEm notas de lamento ou excitaçãoO ritmo escorre nos meus quadrisDedos e cordas, língua e clamorE você costura o espaço,Dançando silêncio e calorRetina louca, névoa no tomEu sou a viola; você, a violação. Não sei quanto tempo se passouDesde que comecei a cantar.O jaguar saltou sobre o condor,Gaivotas bailaram sobre o mar.Minha alma estilhaça-se em cançõesEm mil fragmenta-se, têmpera de […]

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Poesia elétrica

A poesia elétrica – métrica! – rústica e drástica – é a forma crua e rua da expressão ilógica dos fantaxmas. Poema de corrente contínua – alternada corrente de impiedade: fluxo de elétrons e afetos e de ondas mecânicas de som. A velocidade da luz versus a velocidade do silêncio. Quanto mais antigas são as pedras, mais silenciosas ela se tornam – da mesma maneira que os homens, as mulheres e os gatos. Por isso as cidades velhas são astutas e recatadas – uma solenidade altiva exala de suas esquinas (mesmo as sujas!), seus bueiros e fios desencapados. Postes acesos, postes caídos, postes corroídos pelos tempos – postes de lâmpadas para sempre desligadas. E numa esquina, um cantor sozinho emendando […]

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