Arquivos da categoria: Prosas

Vinte de fevereiro de 2004: eu chegava em Caxias aos 20 anos, para estudar História na Universidade Estadual. Ficaria hospedado num hotelzinho com nome de poeta (que hoje nem existe mais). Meu avô, Jacinto Pereira, para me ensinar o caminho, me acompanhou em minha primeira subida do Morro do Alecrim – foi a última vez…

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Naqueles tempos, o velho compositor ainda não tinha visto desbotar da barba de prata o efêmero banho dourado da juventude – e qualquer coisa de cobre lhe saia dos cabelos se se lhe olhasse a certa hora do dia, sob certo ângulo em relação ao sol. Manhã ou tarde do quarto ou do terceiro dia,…

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Ou um zine-fantaxma para um fantaxma que se foi Carvalho Junior – poeta. Eu o conheci em um sarau na praça da Universidade Estadual do Maranhão, em 2006 ou 2007. Ele tinha publicado seu primeiro livrinho – experiência que ele posteriormente renegou – e recitava seus poemas com entusiasmo e autoridade. Ele era um ano…

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A cidade de Codó, estado do Maranhão, se formou à margem direita do Rio Itapecuru. Um importante afluente desse rio é o Riacho Roncador, que corre caudaloso por uma vasta extensão de terras, fazendo curvas e flertando com a estrada de ferro que, por um bom percurso, o ladeia. A certa altura deste riacho, pouco…

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Caxias – Ma, Julho de 1985. Renato Lourenço de Meneses, então com 25 anos e uma vasta cabeleira Black Power, aparece numa edição do jornal “O Pioneiro” – dirigido, editado e diagramado, varrido, desinfetado e novamente sujo, vendido, distribuído e muitas vezes descartado por seu próprio fundador, Vítor Gonçalves Neto (segundo o próprio). A foto…

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Neil Gaiman é para mim um filósofo. A narração de Gaiman mobiliza um vastíssimo acervo cultural, e em Sandman isso pode ser levado às últimas consequências. Uma vez que Lorde Morpheus é o Senhor do Sonhar e é no Sonhar que nascem todas as artes e todo conhecimento, ele pode a todo momento mobilizar referências…

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Graciliano Ramos escrevia PQP no Jornal do Brasil. Vitor Gonçalves Neto, escritor teresinense-caxiense, que dizia preferir fazer jornalismo à mão, igual punheta, na mesma época de Graciliano, já escrevia os palavrões à cheia, em sua linguagem jocosa, coloquial, ágil e elegante. Eu me identifico com essa estética que assume as palavras em sua inteireza e…

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Músico de competência duvidosa e cronista nonsense de Facebook, eu também sou poeta de folhas soltas, versos avulsos e imagens repetidas. De todas as 9.432 habilidades inúteis e não muito bem desenvolvidas que tenho, a versartesania é aquela em que sou mais imberbe. Apesar disso – ou talvez justamente por – faço do meu verbo…

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Sempre fui daqueles que escrevem com fogo, ignorando o risco da queimadura. Não considero palavras morais nem imorais, sagradas ou profanas, corretas ou erradas – palavras são palavras, ou seja, puras arbitrariedades. Meu papel é montá-las – no sentido de juntar peças, mas também no sentido de cavalgar (com todas as conotações sexuais que essa…

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