Categoria: Versos

ORAÇÃO DO APOCALYPSE

Poema: Renato Meneses / Painel, música, voz e vídeo: Isaac) Dai atenção ao apocalipse/dai atenção ao apocalipse. Dai atenção ao apocalipse/dai atenção ao apocalipse. Das profundezas do inferno O porco chauvinista está no planalto Ele vem bufando com fogo nas narinas Atentai ao apocalipse/ atentai ao apocalipse São pra mais de trezentas mil mortes De covas rasas comprovadas Cemitério de almas penadas Ele não vale o que a gata enterra Ó satanás te apiadas de nós. Apocalipse now/ apocalipse now Vamos arrancar os ovos do canalha Capar o porco com faca afiadíssima Dizer basta! Dizer, vai pra puta que o pariu Deixar os bagos balançando na cruz dos teístas Ó satanás, leva pra ti esse vestíbulo do inferno. Anunciando mortes, […]

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Booh! – O Tiju-zine

Ou um zine-fantaxma para um fantaxma que se foi Carvalho Junior – poeta. Eu o conheci em um sarau na praça da Universidade Estadual do Maranhão, em 2006 ou 2007. Ele tinha publicado seu primeiro livrinho – experiência que ele posteriormente renegou – e recitava seus poemas com entusiasmo e autoridade. Ele era um ano mais jovem que eu, porém, infinitamente mais maduro. Na mesma época, eu dirigia uma revista eletrônica de crítica cultural – me aventurando como ensaísta e cometendo muitos erros, com a minha linguagem de garra de gato arisco e meus pontos de vista então inflexíveis. Mas também me colocava na cena artística como poeta, ator e músico. Os anos nos aproximaram. Eu e Carvalho Junior – […]

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Inscrição

Eu sou uma palavra, sou um signo, sou um código. Fui escrito pela minha história, pela história dos meus país, dos meus avós e dos meus irmãos. Sou uma artimanha da minha própria malandragem – produto precoce da fuga e da transgressão. Sou o ímpeto do desejo, a indiscrição da vontade,eu sou o vício, a virtude e a rejeição da régua. Sou um espaço que se pronuncia e canta: estou aqui, ali e onde não posso sequer estar. Não sei das coisas, apenas aprendo sobre como me mover no meio delas – eu me aprendo e depois me ignoro. Amanheço sonolências e vou para a cama de madrugada insone – um pesadelo me observa da janela. Tenho acessos de poesia […]

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Noite em Mim

A noite está presente em mim, faz parte de mim – é como a minha alma se vê. Sento-me a um canto escuro e respiro a umidade, deixo a poeira molhada de orvalho invadir minhas narinas, obstruir minha respiração. Busco a brisa, busco as aves de rapina – esforço-me para sentir o medo dos roedores que andam furtivos na penumbra, eles soltam guinchos, arrastam a barriga gorda pelo chão. Tento ver o rosto dos fantaxmas que se escondem nas paredes, nos lugares vazios, nos corredores desocupados. Em algum istmo noturno entre a consciência e o momento de sonhar pode-se ouvir a voz de gente morta, ecos do passado ainda ressonantes nas entranhas do ser-do-mundo. A noite é como uma serpente […]

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Poesia elétrica

A poesia elétrica – métrica! – rústica e drástica – é a forma crua e rua da expressão ilógica dos fantaxmas. Poema de corrente contínua – alternada corrente de impiedade: fluxo de elétrons e afetos e de ondas mecânicas de som. A velocidade da luz versus a velocidade do silêncio. Quanto mais antigas são as pedras, mais silenciosas ela se tornam – da mesma maneira que os homens, as mulheres e os gatos. Por isso as cidades velhas são astutas e recatadas – uma solenidade altiva exala de suas esquinas (mesmo as sujas!), seus bueiros e fios desencapados. Postes acesos, postes caídos, postes corroídos pelos tempos – postes de lâmpadas para sempre desligadas. E numa esquina, um cantor sozinho emendando […]

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