Tag: Poemas

Pá! Pô Papo de Poeta – um bando de poesia

Surgido como uma resposta a pressões conservadoras contra a livre expressão e circulação da poesia na cidade – o Pá! Pô! Papo de Poeta avança na construção de uma cena de efervescência poética. Um bando. Uma multiplicidade. As primeiras zoações de um enxame. Feromônio de acontecimento disseminado por ruas, praças e calçadas – acusticografia: a poesia proclamada como falsa profecia que reverbera no concreto. A seguir, um pequeno inventário de maquinações: Pá! Pô! Papo de Poeta – Podcast no YouTube Com apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Maranhão, estreia em 08/03 o podcast Pá! Pô! Papo de Poeta no YouTube O programa será apresentado pelos bichos papões Isaac e Renato Meneses, sempre entrevistando um convidado qualificado […]

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Corpografia: anotações sobre “Pequeno ensaio amoroso”, de Luiza Cantanhede

O  “Pequeno ensaio amoroso”, de Luiza Cantanhêde, não deveria ser lido como um livro sobre o amor. Ela é poeta de escolhas cuidadosas de vocábulos, e sua decisão pelo adjetivo “amoroso”, em vez do substantivo “amor” para compor o título da obra não deve nos parecer fortuita. Luiza não nos diz o que ela ensaia, apenas que ensaia amorosamente. E se ela faz do amor um signo que atravessa a obra não é porque o toma como tema, mas porque faz dele sua energia. Poema após poema, a coletânea exprime a femininidade viril de um corpo que atravessa a vida atroz sem perder leveza nem tesão. Luiza abre para nós sua paisagem subjetiva enquanto redesenha seu corpo físico num corpo-memória, […]

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Cinelândia, o Germinal de Paulo Rodrigues

Nem um poeta da envergadura de Pablo Neruda escapou da acusação de panfletagem socialista por seu grande poema de crítica social, “Canto General”. Quem assim o acusa, naturalmente, não deve entender a poesia intrínseca à utopia. Ainda mais, ignora o fato de que a poesia verdadeira é voz de fantasmas:para usar uma expressão de Walter Benjamin, trata-se de “convidar os mortos para o banquete” – trata-se de fazer soar a algazarra do silêncio. O livro “Cinelândia”, de Paulo Rodrigues, participa dessa definição. Situando-se de partida em praça pública, num espaço de combate, uma arena histórica da luta de classes, o poeta percorre as veias abertas de um Brasil marginal, e enquanto do branco do papel ressoa o burburinho de algum […]

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ORAÇÃO DO APOCALYPSE

Poema: Renato Meneses / Painel, música, voz e vídeo: Isaac) Dai atenção ao apocalipse/dai atenção ao apocalipse. Dai atenção ao apocalipse/dai atenção ao apocalipse. Das profundezas do inferno O porco chauvinista está no planalto Ele vem bufando com fogo nas narinas Atentai ao apocalipse/ atentai ao apocalipse São pra mais de trezentas mil mortes De covas rasas comprovadas Cemitério de almas penadas Ele não vale o que a gata enterra Ó satanás te apiadas de nós. Apocalipse now/ apocalipse now Vamos arrancar os ovos do canalha Capar o porco com faca afiadíssima Dizer basta! Dizer, vai pra puta que o pariu Deixar os bagos balançando na cruz dos teístas Ó satanás, leva pra ti esse vestíbulo do inferno. Anunciando mortes, […]

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Booh! – O Tiju-zine

Ou um zine-fantaxma para um fantaxma que se foi Carvalho Junior – poeta. Eu o conheci em um sarau na praça da Universidade Estadual do Maranhão, em 2006 ou 2007. Ele tinha publicado seu primeiro livrinho – experiência que ele posteriormente renegou – e recitava seus poemas com entusiasmo e autoridade. Ele era um ano mais jovem que eu, porém, infinitamente mais maduro. Na mesma época, eu dirigia uma revista eletrônica de crítica cultural – me aventurando como ensaísta e cometendo muitos erros, com a minha linguagem de garra de gato arisco e meus pontos de vista então inflexíveis. Mas também me colocava na cena artística como poeta, ator e músico. Os anos nos aproximaram. Eu e Carvalho Junior – […]

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Slow Jam

Brinca comigo,deixa eu escoar (ecoar!)nos teus delírios. Aqui dentro o mundo chora;dentro em mim um mundo em chamas. Mas em ti eu me equilibroe digo: grita! e digo: canta!fala frases longas e truncadas…porque a alma nasce do some na poesia faz fragrância. Harpas e harpias habitamcavernas abissais em nós.

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Poesia, indócil humildade: o esforço de viver para nada

Esta é a história de como eu me entreguei aos braços de Morpheus. Eu soube que deveria recorrer à poesia para sobreviver numa manhã nublada, dentro de uma agência bancária. Eu tinha uns 18 anos; um colega de sala de aula recentemente havia sido conquistado por uma vaga como bancário. Enquanto eu esperava para ser atendido, olhei-os passar em suas roupas sociais em dessintonia com seu corpo e com aquele sorriso plasmado em agonia de quem ganhou meias no Natal – e fui assaltado por um violenta sensação de absurdo. O tempo é um recurso finito e não renovável e lá estavam duas manhãs (a minha e a dele) consumidas entre máquinas, unidades monetárias e pessoas de semblante cansado, engrenagens […]

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Bolhas de Manteiga – ou fragmentos iluminados da loucura

Os dias, as noites, os pulsos da música. O tempo, como uma lixa. A filosofia murmurante das águas e dos redemoinhos. A lagarta, a goteira, o gargarejar de uma privada no prédio vazio – e imenso. Reminiscência e devaneio. Loucura e aprendizado. Viajar e escrever – uma coisa para a outra, uma coisa contra a outra: contar histórias que se viveu, contar o que se vislumbrou em transe. Poesia é rasgar a pele da mentira para arrancar realidade do sonho: quem sabe a diferença entre a memória e o oráculo? Percorrer o tempo em sentidos opostos: a rua de mão dupla é Kerouac e é Rimbaud. O homem e o gato num cenário de nostalgia – os fragmentos iluminados da […]

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Texto-catarro (como diria Edwar)

A imagem em destaque é do artista plástico Felipe Gobbi. Essa coisa de “alta literatura”, de Poesia (com maiúscula) é uma barca furada que babacas eruditos inventaram para compensar com elitismo a evidente falta de “aproach” com a estética-acontecimento. Poesia é expressão – de exprimir, espremer, o real na fibra de sua realidade: o real como acontecimento concreto, como acontecimento fantasma, como acontecimento cabal ou como acontecimento sonhado. Mas sempre o real acontecido na fina leveza e ainda assim cruenta densidade da carne – humana carne. Poesia tem gênero. Poesia tem cor. Poesia tem idade. Poesia tem classe social. Poesia tem dor no nervo ciático. Poesia tem hérnia de disco. Poesia tem glaucoma. Poesia tem caganeira. Poesia tem AIDS. Poesia […]

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Quem escreverá o poema de nós (?)

A cidade vive em nós, ama e sofre em nós. Toca a música única que só se faz ouvir em nós. Se a cidade fosse gente, nós seríamos cidade. E nos moraríamos reciprocamente, vivendo um no outro, como vivemos agora. Música verdadeira é como rua, calçada – é via de mão dupla onde transitam sentimentos: da cidade, para nós; de nós, para a cidade. Música visceral é de comunidade; nasce da experiência, do estar junto e em fricção; nasce do encontro, da fatalidade; da delicadíssima técnica de estar e conviver. Tribal ou urbana – corpos que ardem em volta das chamas. Somos e mulheres dos trópicos, somos formigas do Maranhão. Não podemos cantar o canto dos esquimós, nem o canto […]

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Quatetê: a coleção de cabeças de Carvalho Junior – algumas anotações

Colecionar é uma arte. Walter Benjamin já apontava as virtudes semióticas da atividade do colecionador – ele desloca os objetos de seus lugares originais e os realoca em novas séries, produzindo significado e valor. Considere os números numa lista de telefone: são apenas informação. Mas se um colecionador seleciona números de telefone e os cataloga segundo seus critérios especiais, esses números passam a uma outra ordem de existência, de modo que na coleção, a arte não está no colecionável, mas no processo de colecionar – isso faz do colecionador um artista. O Colecionador de Cabeças Carvalho Junior é um poeta e um ativista literário – desenvolve um trabalho insistente e persistente de produção, pesquisa e divulgação da Literatura, dele e […]

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“Suite de Novembro – poema de olhos vendados e uma teoria do amor”: um manuscrito clandestino

Você não sabe de que universo as mulheres vêm – você apenas aceita que elas façam contato imediato. E é disso que esse poema trata. Se eu tivesse de escrever um prefácio a este livro fisiológico, seriam essas as minhas palavras de abertura. Baixe o eBook aqui É um livro ventre – ventre-livro – e dele brotam tentáculos e fios de cabelos. O que ele narra? A mulher como uma explosão, como um transe, como uma abdução alienígena. O encontro que transcende o encontro – a revelação para lá do Apocalipse. Tudo e nada numa mesma efusão de sensibilidade. Manuscrito Clandestino A obra foi financiada pela Academia Fantaxma e editada pela Editora Fantaxma, de modo que mesmo públicado permanece inédito. […]

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Arte e Magia – o ofício do bardo

A música é a arte original: das entranhas da música nasceram siameses o teatro e a poesia – nasceram mágicos, nasceram místicos, nasceram como forma de comunicação não dos homens com os deuses, mas dos deuses com os homens. Música, poesia e teatro são formas ancestrais de arte que guardam até hoje, apesar de toda parafernália tecnológica que as envolve, uma aura xamânica – ainda reconhecemos no artista algo de transcendente, de intransigente, de irremediavelmente quintessencial. Nas palavras do poeta; nos sons expressos pelo músico; no corpo possuído em transe textual do ator; podemos reconhecer uma mensagem vinda do além, do transversal, do intangível, não-narrável, não-discritível, não-dissertável. O poeta – assim como o músico e o ator – é o […]

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