Experiências em podcast

Experiências em podcast

Do CasinoQuebec ao Má Dicção

Minha primeira experiência com podcast foi o CasinoQuebec – O Podcast, uma iniciativa da minha banda que buscava manter o movimento e a interação mesmo em período de pandemia.

Uma experiência magnífica – a fala, como afirmou Freud, é extremamente poderosa. Pode curar, pode revelar mistérios. No caso, falar sobre nosso trabalho, nossa história, expor nosso pensamento e nossa postura como artistas e gestores da nossa carreira, nos levou a uma visão mais clara sobre nós mesmos e nossa posição no mercado.

Vocẽ pode ouvir nosso podcast clicando aqui.

Mas quem se contenta com uma só experiência, quando ela é positiva? De maneira que da iniciativa coletiva do CasinoQuebec – O Podcast para uma iniciativa solo foi um pulo. Por que? O podcast da banda é da banda, existem limitações editoriais óbvias e justas. E a minha cabeça grande e inquieta quer sempre furar as linhas de fronteira – e é assim que nasce o Má Dicção.

Má Dicção: Artes Mal Faladas

Ora, o “mal dizer” está na origem da poesia em Língua Portuguesa. Por extensão, na origem de toda a cultura lusófona. A maledicência, fruto da carne, é um dos pecados mais saborosos: pecado de língua, pecado de fogo.

Mas convenhamos que fofoca e fuxico é uma das atividades mais mesquinhas dos sorrateiros invejosos. É necessário falar mal da vida alheia sem a hipocrisia insípida das beatas e dos porteiros de igreja – é necessário maldizer com classe, inteligência e desdém pelas desprezíveis futilidades dos linguarudos.

Aqui no Maranhão, diz-se que a jovem que perdeu a virgindade é “mal falada”. Por oposição, a moça de quem não se fala mal é aquela “de boa fama”. À violação do hímen corresponderia uma outra, mais grave, no discurso. Quanto a mim, no que se trata de moças, prefiro o sexo ao comentário; e a língua, guardo-a para o beijo grego e o exercício da cultura.

Aliás, contra ou anti cultura. Cultura maldita, cultura herege, cultura louca. Numa palavra: arte, ou artes (nos plurais, sempres nos plurais).

Se é pra falar, falemos de arte. Se é pra falar de arte, falemos sem frescura, sem reverência, sem nojinho, e sem insegurança. Artes mal faladas são artes impuras, violadas, vadias, feiticeiras. Em outras palavras, artes perigosas, voluntariosas e indomadas – artes vivas, quentes e envolvidas em suas próprias jornadas.

Má Dicção – a beleza do mal dito

Bom! Mas, paralelo ao sentido de um mal dizer como maledicência, há também de um dizer mal dito, em termos puramente técnicos. Como um mal escrito é o escrito de um mal escritor um mal dito é o dito que um mal falador.

Falar bem exige, naturalmente, habilidades admiráveis de retórica – um poder qualquer de comunicação ao mesmo tempo eficaz e belo, que faz a fala parecer tão simples que natural e tão elevada que ninguém mais poderia falar assim.

Em suma, toda a habilidade que este falador não possui. Se meus dizeres são maus, se minha língua titubeia e minha garganta falha, se me escapam os verbos e os substantivos e se os argumentos se emaranham, é que meu falar é realmente ruim e sobre isso nada posso fazer, a não ser pedir desculpas – que não peço, porque também não me importo.

Mesmo assim, espero que, com minhas mal-dicções, você também se divirta.

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