Caderno de Estivália

Caderno de Estivália

Estivália, 08 de maio (?).

A melancolia dos domingos, às vezes, é rasgada por um acontecimento luminoso e quente chamado mulher.

As árvores viçosas balançando à brisa, as horas soltas do entardecer soprando em nossas bochechas – beijo de alegria e brasa, aquecendo em nossos peitos alguma tristeza antiga ou nova, algum silêncio sem nome e azedo. Ela não podia me fazer feliz, é claro; tampouco eu a ela – apenas nos amamos por um instante (amor é sempre um instantâneo)

O amor também é um conhecimento: é o conhecer de um caminho que leva à penumbra do coração do outro. Decodificar o sentir- e isso equivale a inventar algum sentido – nas dobras das ondas e nas costuras das folhas quando o vento as valsa. Amor é a adivinhação de um engano.

Mas é muito provável que eu esteja enganado.

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